Eu sempre fui a ‘certinha’ do prédio, até a noite em que resolvi ousar. Preparei um cenário digno de cinema para o meu marido: velas, uma playlist suave e eu, vestida apenas com uma lingerie vermelha de tirar o fôlego. Para apimentar, decidi enviar uma foto rápida do meu decote com a legenda: ‘O jantar está servido, e o prato principal sou eu. Não demora’. O estalo de pânico veio dois segundos depois. Eu não enviei para ele.
Enviei para o grupo de WhatsApp dos moradores do condomínio. Meu coração parou. Antes que eu pudesse apagar, o vizinho do 402 um solteiro cobiçado que eu sempre fingi ignorar no elevador visualizou. A resposta dele veio no privado: ‘Se o seu marido demorar, eu conheço um bom vinho que harmoniza com esse visual’. A vergonha foi imensa, mas a adrenalina que correu nas minhas veias foi maior. O jantar com meu marido foi incendiário, alimentado por esse ‘segredo’ compartilhado com um estranho.
Agora, toda vez que encontro o 402 no corredor, trocamos um olhar cúmplice que me faz questionar: até onde vai a nossa imaginação quando a porta se fecha